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Circuito Faísca estreia com exposição em Olinda

28.07.2026 | 8 Min

Festival de Publicações Experimentais apresenta Quem Leu Leu n’A Casa do Cachorro Preto

Depois de realizar sua 26ª edição em Belo Horizonte, a Faísca promove módulos do Festival de Publicações Experimentais pela primeira vez em outras regiões do Brasil. A estreia do Circuito Faísca é em Olinda, quando o projeto apresenta a exposição Quem Leu Leu, do designer de linguagem mineiro Preto Matheus, com eventos de abertura desenvolvidos em parceria com iniciativas locais.

A inauguração do Circuito Faísca é n’A Casa do Cachorro Preto nos dias 14 e 15 de agosto. A entrada é gratuita. Além da parceria com a galeria de arte que recebe a exposição, os eventos são colaborações com a feira de publicações Se Fizer Sol, realizada pela editora e ateliê Titivillus, e com o projeto de experimentação musical ARRANHANDO O RUÍDO.

Fotos: Luiz Carlos Oliveira

Um dos expoentes da cena contemporânea da poesia visual e da arte urbana, o artista Preto Matheus participa durante toda a programação de abertura. Sua longa trajetória de experimentação resultou em Quem Leu Leu – originalmente lançado como livro de artista, com páginas soltas reunidas em uma caixa –, que se desdobrou em exposição desenvolvida pela Faísca. O poema-objeto é também um dos títulos que integra a Coleção Livro de Artista da UFMG, principal acervo do gênero na América Latina.

O artista utilizou, para cada um dos poemas visuais que compõem a obra, a tipografia da pixação que permeia todo o seu trabalho. Na exposição, páginas do livro transformam-se em painéis de grandes dimensões, convidando as pessoas para decifrar o enigma visual de Preto Matheus. Quem Leu Leu ganha, em Olinda, nova edição. O Circuito Faísca fecha o ciclo do projeto Faísca Festival de Publicações Experimentais, que tem patrocínio pela Petrobras.

Quem Leu Leu n’A Casa do Cachorro Preto

A abertura da exposição apresenta, na sexta-feira (14 de agosto), o debate O Enigma Visual, entre o artista Preto Matheus e a curadora Helen Murta. Eles conversam sobre o livro de artista, sobre a tipografia desenvolvida pelo designer em Quem Leu Leu e em outros trabalhos, além de temas como escrita experimental, letramento visual, outras possibilidades da prática artística nas publicações e em diversos suportes. Ao longo da noite, o responsável pela discotecagem é Ari Falcão.

No sábado (15), a programação conta com a feira de publicações Se Fizer Sol, com curadoria por Joana Pena e Rodrigo Acioli, ambos da Titivillus Editora. Em sua segunda edição, Se Fizer Sol valoriza a experimentação gráfica e a autonomia editorial, com ênfase em produções que fogem dos padrões industriais. Recebe os mais diversos tipos e formatos de publicações e impressos, como livros, opúsculos, fotolivros, livros de artista, zines e cartazes.

A programação de sábado segue com o debate Páginas da Outra Dimensão, com Jão, João Lin e Raoni Assis. Artista gráfico, designer e editor, Jão é também curador e organizador da Faísca. Ilustrador e artista plástico, João Lin é músico, curador, editor de arte e de publicações como a revista Ragu. O artista visual Raoni Assis, que utiliza diversas mídias em sua obra, é ilustrador, curador e fundador d’A Casa do Cachorro Preto.

Coordenado por ele junto a Maiara Lira, Sheila Oliveira e Tauana Pimentel, o espaço é uma produtora, galeria, ateliê e centro cultural desde 2012, trabalhando uma estética contestatória a partir da arte urbana, contemporânea, plural e diversa, em que se encontram artistas novos e veteranos. Este é o resultado de um esforço coletivo que forma, junto com o público, uma intrínseca relação da arte com a reflexão e o pensamento crítico.

Encerra o sábado a performance de livre improvisação musical, composta em tempo real, ARRANHANDO O RUÍDO. Nela, o ensaio se combina com a abertura para o imprevisível: sons com altura e tempos definidos (notas) dialogam em paridade com ruídos, aleatoriedades e inconsistências. Entre a densidade e a sutileza, a atmosfera é construída a partir da guitarra elétrica por Cesar G. Berton, do baixo elétrico por João Lin e do teclado por Sérgio Godoy, formação escolhida pelos músicos para esta performance, conduzida a partir de técnicas estendidas, instrumentos preparados, sintetizadores, outras manipulações eletrônicas e analógicas. Gabriel Mago discoteca ao longo do encontro.

  • Circuito Faísca apresenta Quem Leu Leu, exposição de Preto Matheus
    Eventos de abertura da exposição: 14 e 15 de agosto
    Local: A Casa do Cachorro Preto (R. Treze de Maio, 99, Carmo, Olinda/PE)14 de agosto, sexta-feira, das 18h às 22h | Entrada Gratuita
    19h – Debate O Enigma Visual, com o artista Preto Matheus e a curadora Helen Murta;
    Discotecagem com Ari Falcão ao longo de todo o evento.15 de agosto, sábado, das 13h às 22h | Entrada Gratuita
    13h às 19h – Feira Se Fizer Sol, com curadoria por Rodrigo Acioli e Joana Pena (Titivillus Editora);
    16h – Debate Páginas da Outra Dimensão, com os artistas Jão, João Lin e Raoni Assis;
    19h – ARRANHANDO O RUÍDO, performance por Cesar G. Berton, João Lin e Sérgio Godoy;
    Discotecagem com Gabriel Mago ao longo de todo o evento.

    Depois da abertura em parceria com a Faísca, a exposição Quem Leu Leu fica em cartaz n’A Casa do Cachorro Preto até 13 de setembro de 2026, conforme as condições de entrada e horários de funcionamento estabelecidos pelo local em cada data.

Preto Matheus

O foco da pesquisa e da prática artística de Preto Matheus está nas transversalidades entre design, matemática e arte urbana. Seu trabalho tem como principal referência a tipografia do pixo, desenvolvendo uma experimentação de linguagem que se desdobra em letramento visual. Ele é um dos fundadores da SQN Biblioteca, editora criada em 2018, focada na confluência entre livros-objeto, cultura urbana e escrita experimental. Além de designer, artista e editor, atua como agente cultural no cenário independente de Belo Horizonte há mais de duas décadas, sendo co-criador do coletivo 4e25, grupo responsável por trabalhos em diversos suportes que realizou eventos, projetos e espaços de Artes Gráficas. Preto Matheus é autor de obras como os livros-objeto Diário e Quem Leu leu, que reúne 67 poemas visuais, feitos durante 9 anos. Ele desenvolve, ainda, identidade visual e projetos gráficos para publicações, eventos e iniciativas musicais, ministra ações formativas, além de ser guitarrista e compositor.

A FAÍSCA
26ª edição: O Encontro dos Livros Estranhos

A Faísca realizou sua 26ª edição em maio de 2026 sob o tema “Livros da Outra Dimensão”, oferecendo uma programação gratuita de três dias composta por exposições de escopos nacional e internacional, feira de publicações com artistas e microeditoras do Brasil, Argentina e Egito, performances de Artes Visuais e Música Experimental, mostra audiovisual, ateliês, debates e palestras.

O encontro também apresentou a estreia da Feira do Livro Sem Tinta, um desdobramento da principal exposição do festival: a Biblioteca Invisível, que convidou onze artistas para, partindo do pensamento em Acessibilidade Estética nas Artes Visuais, criar publicações que não fossem desenvolvidas para serem vistas, mas apreciadas por meio do tato. A exposição reuniu livros feitos a partir de materiais brancos ou transparentes e sem o uso de tinta, trabalhando com aspectos como a dobra, o relevo, o recorte, as texturas, gramaturas e outros elementos palpáveis das publicações. Ampliando o conceito de “toque”, do aspecto tátil para as poéticas da escuta, também compuseram a ação peças sonoras experimentais, como “páginas” abstratas de livros sem tinta.

Além do festival, o projeto em 2026 abrangeu a temporada de aquecimento do evento, abrindo as atividades com a Gráfica Itinerante, conjunto de sete ateliês ministrados pelas microeditoras faísca.lab e Phonte88. Voltados para a produção de revistas ao vivo, os encontros ocuparam espaços públicos de Belo Horizonte e Sabará/MG. A programação pré-festival também apresentou a performance internacional Machine Paralysis: Um Falso Lançamento de Livro, pelo artista David Bergé, belga de Bruxelas radicado na cidade grega Atenas. Outra ação foi o curso Memória Plástica: desfazer e refazer a narrativa do eu, que, ministrado pelo artista Cícero Cecília, foi voltado para a produção de quadrinhos experimentais autobiográficos por pessoas trans. Entre as publicações viabilizadas por esta edição da Faísca estão a revista resultante do curso e novos títulos do Laboratório de Zines.

O projeto encerra seu ciclo de 2026 com a estreia do Circuito Faísca, composto pela realização da exposição Quem Leu Leu, do artista Preto Matheus, em Olinda (PE) e Goiânia (GO), sendo este último evento uma parceria com a feira e-cêntrica.

Trajetória: disparando faíscas para todo um campo

Criada como feira mensal de publicações em junho de 2015, a iniciativa teve 23 edições neste formato, até ampliar seu escopo: depois de realizar o Festival Internacional de Risografia, com mais de 50 convidados de 10 países, foram dois os eventos como Festival de Publicações Experimentais, com a proposta de fomento ao que há de mais original nos livros, reunindo artistas, designers, microeditoras e outras pessoas responsáveis por trabalhos impressos que ultrapassam as barreiras do convencional.

Para além do “Encontro dos Livros Estranhos”, chamada da edição mais recente, a Faísca tem escopo mais abrangente que o festival, constituindo-se como plataforma para o estímulo ao desenvolvimento e à distribuição das publicações: realiza ateliês, programas criativos para artistas, lançamentos, performances e outras ações nas temporadas anterior e posterior a cada edição do festival. Entre os desdobramentos da iniciativa estão o selo de publicações e ateliê risográfico faísca.lab, que participa tanto da feira Se Fizer Sol em Olinda quanto da edição especial da e-cêntrica em Goiânia, com seu catálogo de zines e livros de artista. Outra ramificação da Faísca é o canal de YouTube Estúdio Faísca (@faiscafestival), com programações em quatro línguas como palestras, debates, oficinas, entrevistas e outros assuntos relacionados a publicações experimentais nas Artes Visuais.

Saiba mais sobre a Faísca: @faiscafestival pelo Instagram e YouTube | faiscafestival.com

Petrobras Cultural

A 26ª edição da Faísca só se fez possível ao ser aprovada, entre mais de 8 mil inscritos, pela Seleção Petrobras Cultural, que contempla esta e outras iniciativas que têm o efeito multiplicador como base. Ao longo de anos, foram realizados diversos processos seletivos para contribuir com a dinâmica cultural do país.

Apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Petrobras, o projeto Faísca Festival de Publicações Experimentais é realizado com recursos da Lei Rouanet e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – Edital nº 11/2024, número ID 8620. Patrocínio Máster: Petrobras. Apoio: Cultura e Turismo. Realização: Editora Pulo, SNC, PNAB e Ministério da Cultura.

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