Circuito Faísca realiza encontro de livros estranhos em Goiânia
Festival de Publicações Experimentais apresenta Quem Leu Leu na programação da e-cêntrica
Depois de realizar sua 26ª edição em Belo Horizonte, a Faísca promove módulos do Festival de Publicações Experimentais pela primeira vez em outras regiões do Brasil, apresentando em Goiânia uma exposição inédita: Quem Leu Leu, do artista e designer mineiro Preto Matheus, ocupa a Escola de Artes Visuais no Centro Cultural Octo Marques. A abertura da exposição é nos dias 12 e 13 de setembro, na feira e-cêntrica, iniciativa de circulação da produção gráfica e literária independente. A programação é das 10h às 18h tanto no sábado quanto no domingo, com entrada gratuita.
A parceria entre Faísca e e-cêntrica marca a primeira vez em que os eventos mineiro e goiano se reúnem para potencializar, juntos, trabalhos que já são centrais em cada um deles: livros feitos por artistas, microeditoras, designers, escritores e outras pessoas dedicadas a obras impressas que fogem do convencional. Este é o caso de Quem Leu Leu, originalmente lançado como livro de artista por Preto Matheus, um dos expoentes da cena contemporânea da poesia visual. Fruto de longa trajetória de experimentação pelo designer, a publicação é composta por páginas soltas reunidas em uma caixa. Cada uma delas apresenta um poema visual, formando um conjunto de criações pelo autor no decorrer de quase uma década. Além de ter se transformado em exposição pela Faísca Festival, a obra integra a Coleção Livro de Artista da UFMG, principal acervo do gênero na América Latina.
O foco da pesquisa e da prática de Preto Matheus está nas transversalidades entre design, matemática e arte urbana. Seu trabalho em Quem Leu Leu tem como referência a estilística da pixação paulistana, que levou o artista a criar uma tipografia própria. Na família de fontes desenvolvida por ele, as letras têm largura fixa, nenhum ângulo reto, e as frases formam mistérios a serem revelados ao longo da leitura. Na exposição, as páginas do livro saem da caixa para se transformarem em painéis de grandes dimensões, convidando as pessoas para decifrar o enigma visual de Preto Matheus. O Circuito Faísca integra a temporada 2026 do projeto Faísca Festival de Publicações Experimentais, que tem patrocínio pela Petrobras.
Fotos por Lucas Marçal.

Quem Leu Leu na feira e-cêntrica
A abertura da exposição apresenta, no sábado (12 de setembro), o debate O Enigma Visual, entre o artista Preto Matheus e a curadora da exposição Helen Murta. Eles conduzem o público por uma visita pela galeria, conversam sobre o livro de artista, sobre escrita experimental e a tipografia desenvolvida pelo designer. O percurso é voltado para o letramento visual, instigando cada visitante, ao mesmo tempo, a participar de uma imersão e de um jogo: descobrir o que está escrito em cada um dos poemas visuais que compõem o tipograpixo de Quem Leu Leu.
No domingo (13/09), a programação do Circuito Faísca segue com o debate Páginas da Outra Dimensão, com as participações de félix perini – designer e artista, criador do selo Sentimentos Ternos –, Lari Mundim, responsável pela curadoria e realização e-cêntrica, e Jão, curador e organizador da Faísca Festival. A proposta é abordar a experimentação como forma de construir outros mundos possíveis e os livros como materialização dessas práticas.
O artista Preto Matheus participa também como expositor da feira e-cêntrica, com trabalhos como desdobramentos impressos das obras em exposição, serigrafias e publicações. Já Helen Murta e Jão apresentam na feira as obras do ateliê gráfico e selo de publicações faísca.lab. Desdobramento da Faísca Festival, a microeditora criada e dirigida pela dupla é voltada para zines, livros de artista e outras publicações em risografia, processo de impressão que se destaca por cores próprias e vibrantes, sobreposições e texturas.

- Circuito Faísca apresenta Quem Leu Leu, exposição de Preto Matheus
Eventos de abertura: 12 e 13 de setembro de 2026, na programação da feira e-cêntrica.
Local: Escola de Artes Visuais / Centro Cultural Octo Marques
Endereço: Edifício Parthenon Center – rua 4, no 215 (mezanino – entrada pela rua 7), Centro, Goiânia (GO). Entrada Gratuita.
Horários: a e-cêntrica é das 10h às 18h tanto no sábado quanto no domingo. - Atividades da Faísca Festival na programação:
12 de setembro, sábado:
10h – Abertura da Exposição.
14h – O Enigma Visual, visita guiada por Preto Matheus (Quem Leu Leu) e Helen Murta (Faísca).
10h às 18h: participação de Preto Matheus e do faísca.lab como expositores da feira e-cêntrica.
13 de setembro, domingo:
10h – Abertura da Exposição.
16h – Páginas da Outra Dimensão, debate com félix perini (Sentimentos Ternos), Lari Mundim (feira e-cêntrica e negalilu editora) e Jão (Faísca Festival e faísca.lab).
10h às 18h: participação de Preto Matheus e do faísca.lab como expositores da feira e-cêntrica.
Depois da abertura com a participação do artista em 12 e 13 de setembro, a exposição fica em cartaz até 13 de outubro de 2026, conforme condições de entrada e horários de funcionamento em cada data estabelecidos pela Escola de Artes Visuais/Centro Cultural Octo Marques.
Confira a exposição realizada n’A Casa do Cachorro Preto em Olinda:
A FAÍSCA | 26ª edição: O Encontro dos Livros Estranhos
A Faísca realizou sua 26ª edição em maio de 2026 em Belo Horizonte, sob o tema Livros da Outra Dimensão, oferecendo uma programação gratuita de três dias composta por quatro exposições, com escopos nacional e internacional, feira de publicações com a participação de artistas e microeditoras do Brasil e de países como Argentina e Egito, além de performances de Artes Visuais e Música Experimental, mostra audiovisual, ateliês, debates e palestras.
O encontro também apresentou a estreia da Feira do Livro Sem Tinta, um desdobramento da principal exposição do festival: a Biblioteca Invisível, que convidou onze artistas para, partindo do pensamento em Acessibilidade Estética nas Artes Visuais, criar publicações que não fossem desenvolvidas para serem vistas, mas apreciadas por meio do tato. A exposição reuniu livros feitos a partir de materiais brancos ou transparentes e sem o uso de tinta, trabalhando com aspectos como a dobra, o relevo, o recorte, as texturas, gramaturas e outros elementos palpáveis das publicações. Ampliando o conceito de “toque”, do aspecto tátil para as poéticas da escuta, também compuseram a ação peças sonoras experimentais, como “páginas” abstratas de livros sem tinta.
Além do festival, o projeto em 2026 abrangeu a temporada de aquecimento do evento, abrindo as atividades com a Gráfica Itinerante, conjunto de sete ateliês ministrados pelas microeditoras faísca.lab e Phonte88. Voltados para a produção de revistas ao vivo, os encontros ocuparam espaços públicos de Belo Horizonte e Sabará/MG. A programação pré-festival também apresentou a performance internacional Machine Paralysis: Um Falso Lançamento de Livro, pelo artista David Bergé, belga de Bruxelas radicado na cidade grega Atenas. Outra ação foi o curso Memória Plástica: desfazer e refazer a narrativa do eu, que, ministrado pelo artista Cícero Cecília, foi voltado para a produção de quadrinhos experimentais autobiográficos por pessoas trans. Entre as publicações viabilizadas por esta edição da Faísca estão a revista resultante do curso e novos títulos do Laboratório de Zines. O ciclo de 2026 abrange a estreia do Circuito Faísca, composto pela realização da exposição Quem Leu Leu, do artista Preto Matheus, em duas cidades: a estreia foi em Olinda (PE) e o encerramento é em Goiânia (GO), em parceria com a e-cêntrica.
Trajetória: disparando faíscas para todo um campo
Criada como feira mensal de publicações em junho de 2015, a iniciativa teve 23 edições neste formato, até ampliar seu escopo: depois de realizar o Festival Internacional de Risografia, com mais de 50 convidados de 10 países, foram dois os eventos como Festival de Publicações Experimentais, com a proposta de fomento ao que há de mais original nos livros, reunindo artistas, designers, microeditoras e outras pessoas responsáveis por trabalhos impressos que ultrapassam as barreiras do convencional.
Para além do Encontro dos Livros Estranhos, chamada da edição mais recente, desde 2020 a Faísca ultrapassa também o formato de festival, constituindo-se como plataforma para o estímulo ao desenvolvimento e à distribuição das publicações: realiza ateliês, programas criativos para artistas, lançamentos, performances e outras ações nas temporadas anterior e posterior a cada edição do evento. Entre os desdobramentos da iniciativa estão o selo de publicações e ateliê risográfico faísca.lab, que, pela primeira vez em Goiânia, participa com seu catálogo de zines e livros de artista da edição especial da e-cêntrica. Outra ramificação da Faísca é o canal de YouTube Estúdio Faísca (@faiscafestival), com programações em quatro línguas como palestras, debates, oficinas, entrevistas e outros assuntos relacionados a publicações experimentais nas Artes Visuais.
Saiba mais sobre a Faísca: @faiscafestival pelo Instagram e YouTube | faiscafestival.com
Petrobras Cultural
A 26ª edição da Faísca só se fez possível ao ser aprovada, entre 140 contemplados de mais de 8 mil inscritos, pela Seleção Petrobras Cultural, que abrange esta e outras iniciativas de efeito multiplicador. Ao longo de anos, foram realizados diversos processos seletivos para contribuir com a dinâmica cultural do país.
Apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Petrobras, o projeto Faísca Festival de Publicações Experimentais é realizado com recursos da Lei Rouanet e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – Edital nº 11/2024, número ID 8620. Patrocínio Máster: Petrobras. Apoio: Cultura e Turismo. Realização: Editora Pulo, SNC, PNAB e Ministério da Cultura.
*Os comentários são moderados pela equipe da Faísca
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