O que é Risografia?

Páginas de Fauna e Flora, de Fabio Zimbres
Foto: Risotrip Print Shop Co.

Os duplicadores e a risoarte

Desenvolvido como evolução dos mimeógrafos, o duplicador Risograph deu origem ao termo risografia. Essa é uma tecnologia japonesa, cada vez mais usada por artistas, designers e editores pelo mundo para materializar seus trabalhos criativos. Características marcantes dos resultados impressos são as cores próprias e vibrantes, além das texturas obtidas a partir de tinta oleosa absorvida pelo papel, que conferem aos trabalhos artísticos uma aparência artesanal, composta por manchas, nuances, camadas de cores e deslocamentos gerados por sobreposições.

A autonomia para a produção de publicações e as possibilidades de experimentação são os principais atrativos da risografia.

A linha de duplicadores digitais Risograph foi lançada no Japão nos anos 1980 pela Riso Kagaku Corporation e pensada como uma alternativa para impressão em alta velocidade de média e larga escalas. O público-alvo eram empresas, escritórios, outras instituições privadas ou escolas. Esses equipamentos, alguns anos depois de sua criação, foram então descobertos por artistas independentes, como uma maneira de lançar seus próprios trabalhos. O duplicador permitiu que os próprios criadores das obras pudessem reproduzi-las com maior facilidade, substituindo processos manuais, e que pudessem desenvolver suas habilidades a partir do uso da máquina para, inclusive, modificar sua função original.

O pioneiro no uso da risografia para fins criativos foi o grupo holandês Knust, convidado desta edição da Faísca. O coletivo adquiriu seu primeiro duplicador digital, da marca Ricoh, em 1992 e, desde então, aprimora seus conhecimentos, dominando a técnica. Com isso, faz com que toda a produção em risografia evolua.

No final dos anos 2000, vários estúdios e publicadores especializados na impressão em Risograph foram inaugurados pelo mundo, movimento criativo que cresceu especialmente na última década. Muitos destes espaços são geridos por artistas ou designers que exploram a experimentação e a inovação, a partir do estudo, da apropriação e das modificações implementadas por eles para a impressão faça-você-mesmo com a Riso.

Ko Zine
Página do Ko Zine “Fúria”, de Bruno Rios e Matheus Ferreira (Prumo), impresso e publicado pelo Knust

Cores e tintas

Como essas máquinas foram projetadas para impressão monocromática, o registro de cada cor é trabalhado separadamente, o que significa que o papel precisa de uma nova passagem pelo duplicador para cada camada de cor desejada. Existem também duplicadores Riso bicolores (permitindo que o papel saia com duas cores registradas em única passagem). As sobreposições podem gerar novas cores, assim como desalinhamentos provenientes dos reposicionamentos do papel, denominados “erros de registro”. Estes desencontros, muitas vezes, são aproveitados como parte do processo de experimentação gráfica, assim como as manchas geradas pela densidade de tinta, que não seca completamente: cada ‘cópia’ acaba sendo diferente da seguinte.

As tintas Riso, feitas com base em óleo de soja ou farelo de arroz, não são tóxicas, e os duplicadores produzem baixa quantidade de resíduos, além de consumirem pouca energia em comparação a outros métodos, o que torna o processo ecologicamente sustentável. A Riso funciona com base na impressão por estêncil – em inglês, stencil printing –, um processo permeográfico, já que, para chegar ao papel, a tinta atravessa a área perfurada de um máster ou estêncil (folha usada como molde para criar cópias).

Corners Studio, livro Magical Octopus
Calipso Press, livro Magical Octopus
Kabinet Studio, livro Magical Octopus
Fotos do livro “Magical Octopus” (Jan van Eyck Academie & vários autores, 2020).